No meu segundo dia (sim, logo no 2º dia para ser logo tudo de seguida... esperar para quê?) a minha orientadora disse-me que íamos a um meeting no centro de Tóquio para falar com umas pessoas. Claro que quando ela disse vamos, eu pensei que era ela e a colega dela. Enganei-me... era comigo que ela ia a um meeting para falar com umas pessoas. Achei estranho, mas entre o inglês que não é muito bom e o meu jet-lag não dei muita importância ao assunto. À tarde, mostrou-me a página web do tal meeting e vi que era de micoplasma (não interessa nada o que é, mas não tem nada a ver com o que eu trabalho). Disse-me que íamos para falar com um médico durante o jantar do meeting que ia lá estar e que esse então trabalha com Bartonella (e eu também). A coisa começou a fazer mais sentido, menos mal, mas já estava a suar só de pensar que tinha de ir ao tal meeting jantar com médicos e pessoas importantes e falar em inglês e estar bem disposta e sei lá mais o quê quando só queria ir para casa dormir (o jet lag atacou-me bem). Enfim, não tive outro remédio e depois do trabalho lá fomos, passei pelas ruas do centro de Tóquio (impressionante!!) e lá entramos nós na Universidade de Tóquio para ir jantar com as pessoas do meeting. Devo mencionar que tava tudo de fatinho e eu ali com as minhas calcinhas de ganga e uma camisola básica. Guapa, guapa! A minha orientadora teve de pagar para entrarmos no meeting, e não foi pouco, e quando demos conta o tal médico não tinha ido. Fiquei a sentir-me um pouco incomodada, como é óbvio, e para ajudar à festa ela diz-me que é o aniversário do marido. What?? Então vai como uma rapariga cheia de jet-lag e mal vestida para um meeting onde paga uma pequena fortuna para entrar, sem saber se o tal médico está lá e ainda por cima nos anos do marido? Devia ter confirmado que ele vinha, disse-me. Pois, se calhar devias. Mais, a friki-friend e outro rapaz do nosso laboratório também estavam lá!! Hummm, não teria sido tão fácil ter telefonado para um deles? Ou enviado uma mensagem? Sei lá, algo. Pois parece que não. A mim choca-me um bocado esta individualidade deles. Adiante, que senão aborreço-vos antes de chegar ao auge da questão. Eu bem que reparei que havia sempre alguém a falar ao microfone, mas não liguei muito, até a friki-friend (que estava super feliz por estar ali) vir ter comido histérica e me dizer "neste meeting há uma tradição, todos têm que falar, queres falar?". Ora, resposta difícil... deixa-me cá pensar se quero falar para uma data de japoneses bem vestidos... não sei patavina do tema do meeting, tou de calças de ganga e tou com uma cara de jet-lag desde aqui até à lua... hummm, pensando bem bem acho que não quero falar. E a May (a Mayumi, a partir de agora vou chamá-la assim) concordou que não devia falar, afinal só estávamos ali por acaso e todas as outras pessoas tinham estado juntas o dia todo e já se conheciam. Pois bem, já estão mesmo a ver não já? O outro colega do laboratório tava ao microfone e de repente só percebo a palavra Cláudia (ou melhor, Kuraudia) e vejo-o a vir de microfone em riste ter comigo. Epaaaaa... disse que não, que não queria e não sabia japonês, mas que muito obrigadinha pela oportunidade. Não funcionou, e não sei bem como fui levada para o palco com todos os japoneses a baterem-me palmas. Ainda agora a escrever isto me rio só de pensar. E não tive outro remédio, tive de falar para aquela gente toda com um fotografo com uma máquina da Canon a fotografar-me. LOL No final a friki-friend vem ter comigo e diz-me ao ouvido para eu chamar a próxima pessoa a falar, a May. Epá tudo bem, mas eu acho que ela já estava desanimada o suficiente aquela noite. Mal saí do palco a friki-friend e o outro do laboratório puseram-me a falar com vários cientistas que me iam dando os seus cartões, à medida que eu só tentava chegar ao fim da sala para voltar a ficar escondida e sair do centro das atenções. Depois disto o tal médico com que queríamos falar apareceu e a coisa até correu bem. Aqui fica uma foto da entrada para a Universidade de Tóquio. :)
Só um pequeno esclarecimento, que ao falar com a minha mãe ao telefone é que percebi que não me expliquei bem no post dos sapatos. Os sapatos da casa-de-banho são comuns para toda a gente, não são só meus. Estão dois pares à entrada e temos de descalçar os nossos e calçar aqueles. Ou seja, no verão não posso ir de pé ao léu porque não vou calçar uns sapatos que toda a gente calça sem meias, não é verdade? Lá irei eu com as minhas saias e os meus vestidos, meias e aqueles sapatinhos. Sou ou não fashion? Pois tá claro que sim. :)












