No verão, aqui no Japão, senti um tremor (zinho) de terra,
uns 5.8 ou 5.9 na escala de Richter, agora já não sei precisar, mas foi o
suficiente para me fazer entrar em pânico. Eu, a estrangeira que nunca sentiu
tremores de terra a sério, que não vive o dia-a-dia com a constante ameaça que as pessoas aqui vivem. Ah, e tal que também pode acontecer em Portugal. Pois pode, é verdade, mas em Portugal não vivemos com este peso diariamente, este peso de
saber que a qualquer momento tudo pode ficar destruído. E este peso, é um peso
grande de ser carregado. Claro que pode ser suportado e que há coisas muito
piores, mas que não se vive da mesma maneira, isso não se vive. Vejo vídeos do que
foi há 4 anos atrás e fico com pele de galinha. Também é verdade que foi só uma das tantas desgraças naturais que aconteceram, uma entre tantas tantas
outras, infelizmente. Mas esta foi aqui, esta gente viveu-a e por isso talvez me toque mais.
Não consigo imaginar como foi aquele dia, o sismo foi de magnitude 9 e sentiu-se na China!
O eixo da Terra foi desviado! Aproximadamente 20 000 pessoas perderam a vida ou desapareceram. A terra tremeu toda a noite, que aflição. Naquele dia de verão, quando houve aquele tremor (zinho), ninguém
entrou em pânico como eu, estão treinados e habituados e todos sabem como
reagir, mas o medo, esse estava-lhes tatuado no rosto. De todos, sem excepção.
Estávamos a começar a evacuar e todos, mas todos, num silêncio comovedor, sem
um grito, sem uma palavra. Nos vídeos do 11 de Março também me impressionou
isso, o silêncio. É como se já soubessem que isto pode
acontecer e que chegou o dia. É perturbante. Hoje quando cheguei ao
laboratório, a bandeira Japonesa estava hasteada e com uma faixa negra por
cima. É a segunda vez que a vejo assim desde que cheguei e é inevitável, ao
entrar e passar mesmo ao lado, não me arrepiar. Às 2:46h, hora em que se sentiu
o primeiro tremor de terra, fizemos um minuto de meditação em homenagem a todas
as vitimas, todo o Japão fez. No final deste minuto ouvi os meus colegas dizerem "thank you". E eu só tenho vontade de fazer uma vénia e dizer que respeito é o
que eu sinto por este povo. Muito respeito.
Cláudia, impresionante. Tuvo que ser muy conmovedor ese momento de homenaje.
ResponderEliminarEl 11-M también es un día de mal recuerdo para mí y para Madrid. Fue el día de los atentados terroristas en los trenes de Atocha en los que murieron 192 personas que iban a trabajar, a la universidad o a hacer sus tareas diarias, un día normal.
No tiene el impacto del terremoto y tsunami de Japón, pero entiendo perfectamente a los japoneses al recordar ese momento. Cada vez que paso por la estación de Atocha y subo esas escaleras, me viene a la mente la imagen de la explosión que se vio en la tele de las cámaras de seguridad de la estación. Y no puedo evitar sentir ganas de llorar recordando el miedo y la tristeza que pasamos aquel día los madrileños, a pesar de que han pasado ya 11 años.
Supongo que es un recuerdo que nos acompañará siempre a todos, madrileños y japoneses, cada uno a su manera.
Besos
Si,fue conmovedor Álvaro. Yo creo que estos momentos, tengan una dimensión mas grande o mas pequeña, si los hemos vivido o hemos sentido en la piel ese miedo, para siempre nos acompañaran. Yo no he vivido lo que paso hace 4 años pero el 11 de marzo nunca mas sera un día como los otros, siempre sera un día de respecto y de homenaje a las victimas. Me imagino lo que sientes, es duro, pero piensa que nos hace valorar de una manera distinta las cosas, pues tenemos perfecta consciencia que todo puede acabar en un simples momento.
EliminarBesitos
Os japoneses têm realmente muito "sangue frio" quando o país começa a tremer, eles conseguem ter uma calma, um auto controlo, arrepiante. Estão habituados ao desassossego que a "terra" lhes dá, mas essa aparente calma revela muito do povo e do país que é o Japão.
ResponderEliminarO tsunami em Dezembro de 2004 em Sumatra / Indonésia, provocado por um terramoto que se estima de 9.1 a 9.3 na escala de Richter, é o segundo maior jamais registado na história. A sua força foi tal que fez o planeta inteiro vibrar cerca de um centímetro e matou cerca de 230.000 pessoas.
Há muito pouco tempo o ciclone monstruoso em Vanuatu, no Pacífico, deixou um rasto de destruição total.....Nada podemos fazer contra as forças da natureza e contra as do Homem??? Parece que tb não. Isso tem vindo a ser provado ao longo da História da Humanidade .Hiroshima e Nagazaki, há 69 anos queimou pessoas que se encontravam a 4 km de distância, calcula-se que tenham morrido 256.300 pessoas, posteriormente muitas mais devido aos efeitos diretos de ferimentos e queimaduras ou nocivos da radiação. O Holocausto, morreram cerca de 3.8 milhões de pessoas em Auschwittz e Birknau. No 11 de Setembro morreram cerca de 3 mil pessoas. A 11 de Março em Atocha, tal como o Álvaro refere, morreram 192 pessoas.Todas estas datas (e muitas mais) são símbolos da destruição e do mal que o Homem voluntária e conscientemente pode infligir ao seu semelhante. Para todas as vitimas, o nosso respeito, e ao Homem o nosso "GRITO" de apelo à paz no Mundo.