Em Huancabamba,
tivemos a oportunidade de estar com pacientes com verruga e febre, as duas
fases da doença que estudo (lembras-te Filipa do quanto queria ver meninos com
malária?). É super emocionante ver a doença que estudamos em laboratório assim
ao vivo. Passamos os dias enfiados dentro do laboratório, a estudar, a ler,
fazer experiências e escrever projectos que nos permitam continuar a comprar
todo o material de laboratório para continuar a investigar. Estudamos uma doença,
damos o nosso melhor, temos muitos dias em que as experiências não saem bem e
nos sentimos frustrados, que pensamos que não faz sentido o que fazemos ou que
queremos mudar de vida (que viver de ciência não é fácil!), mas depois vimos
estas pessoas, a sofrerem daquilo que é o nosso dia-a-dia no
laboratório e tudo faz sentido, pelo menos por mais uns
tempos. Em Huancabamba vimos uma senhora e um senhor com uma
verruga na mão (a fase benigna da doença) e uma senhora com a fase febril e que
pode chegar a ser mortal. A senhora estava tão amarela e pálida... precisou de
uma transfusão de sangue, mas como não havia um banco de sangue teve de ser
transportada de ambulância durante pelo menos 10 horas, por caminhos que não
são alcatroados e que se vai sempre aos solavancos para chegar a um hospital com banco de sangue. Não sei se viveu ou não,
mas vou saber, preciso de saber. Há mais de um ano e meio que não havia casos da fase febril da doença nesta zona, e precisamente no dia em que aqui estamos vimos esta
senhora... parece obra do destino.
A semana chegou
ao fim. Eu fiquei com uma vontade enorme de voltar e de viver mais de perto
esta realidade, de estar mais tempo perto da doença que investigo e de aprender
com estas pessoas. Também sei que ir a estes sítios é arriscar
um pouco, aqui há muitas doenças, muitas estradas perigosas, mas a experiência vale muito a pena.
Lembro-me de que
quando chegámos a casa, depois de termos saído do laboratório com as amostras todas guardadas, as duas estávamos emocionadas só de pensar na
semana que tínhamos vivido e nas pessoas que tínhamos conhecido e deixado para
trás. Foi lindo, emocionante e inesquecível. Gostava de viver 1 mês em Mayland
ou em Los Ranchos.
Tal como tu dizes, há mais de ano e meio que não havia casos da fase febril da malária nessa zona e no dia em que aí chegaram, viram uma senhora. Tudo na vida acontece por algum motivo, acredito que nada é por acaso, obra do destino ou não, tu estavas aí e ela tem a doença! Mais uma situação que nos deixa a pensar!!!!!
ResponderEliminarA mão da senhora parece uma luva de borracha e não a mão de um ser humano :( Tudo o que escreves-te e nos mostras através das fotos ao longo de todos estes dias evidenciam bem a tua entrega, dedicação e carinho a este povo,a estas causas, certamente por amares muito o que fazes, por tudo aquilo em que acreditas, por aquilo que vale a pena, mesmo correndo riscos a vários níveis.
O meu coração de mãe fica sempre um pouquinho "apertado" por saber TUDO ISSO e até mesmo aquilo que tu não dizes, mas por outro lado fico TÃO FELIZ E ORGULHOSA de ti que supera tudo e eu sei que Deus te protege.
Bem hajas
Mil bjs
Mami